O Amor é Filme e Deus Espectador – O Dia que o Cinema foi Todo Nosso

Era uma tardezinha de sábado. Diazinho preguiçoso, nada para fazer, soneca daqui, soneca dali… Decidimos então ir prestigiar uma das produções locais no Cinema do Shopping Paragem aqui perto de casa. Era o filme Pequenas Histórias, do Helvécio Ratton. Eu já havia lido sobre ele antes, e pelo que vi da história, ele seria perfeito para aquele sábado aparentemente sem sal.

Chegamos lá atrasados para a sessão, mas conseguimos comprar os ingressos e a pipoca. Entramos na sala. Quando chegamos lá, olhamos para aquela platéia de cadeiras vazias, a projeção ainda não havia começado, embora já tivesse uns dez minutos de atraso… Olhamos um para a cara do outro com sorrisos marotos e escolhemos as nossas cadeiras em meio a risadas!

Um Filme… Um cinema só para nós

Sentamos-nos bem comportados, afinal de contas, não queríamos o lanterninha chamando a nossa atenção por estarmos perturbando a sessão! No entanto, não pudemos evitar o ímpeto de colocar os pés para cima nas cadeiras da frente, e nos sentarmos como se estivéssemos na sala da nossa casa. Era quase isso, só que com uma tela bem grande.

filme

As luzes se apagaram, o filme começou. Marieta Severo estava lá, tecendo sua colcha de retalhos e contando suas histórias. Nós seguramos na mão um do outro, coisa de namoradinhos adolescentes indo ao cinema pela primeira vez, só que sem o embaraço desses primeiros e deliciosos encontros de nossas vidas. Comíamos a pipoca, bebíamos o refrigerante – meu companheiro a água, curtíamos o filme, e segurávamos na mão um do outro… Dávamos risadas no filme, descíamos as pernas, levantávamos as pernas, comíamos mais pipoca, sentávamos mais próximos um do outro para colarmos o rosto, ou pousarmos a cabeça no ombro do outro… E assim foi, até que o filme acabou.

Quando as luzes se acenderam, olhamos ao redor e juntamos a sujeira que fizemos. Nós saímos dali felizes por termos tido essa experiência única do cinema todinho só nosso.

Essa sessão particular me fez lembrar a música do Cordel do Fogo Encantado que encerra o filme Lisbela e o Prisioneiro e diz que o amor é filme e que Deus é o espectador. Não poderíamos ter ido a um lugar mais romântico do que esse naquele dia…

Até a próxima!

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

2 comments on “O Amor é Filme e Deus Espectador – O Dia que o Cinema foi Todo Nosso

  1. Nicole querida ,
    Que surpresa para um "finzim" de Domingo!
    Adorei o blog! Seus textos são primorosos como sua fala e retratam muito bem o seu denso e sutil conteúdo cefálico !
    Um pedido : quero ler mais produções suas!
    Grande abraço ,
    Deborah

  2. Uma experiência deliciosa, sem dúvida, Nicole… até porque assistir na telona com a privacidade da telinha é mesmo maravilhoso.
    Gostei de tudo, do visual do blog, da sua descrição de si própria e bem como do texto em si.
    Vou voltar sempre que tiver novidades.
    Beijo carinhoso
    Maria José

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