Sobre o pôr-do-sol

Eu sempre fui uma apaixonada pelas tardes, porque logo no finzinho delas tem o pôr-do-sol. Já experimentei vários pores-do-sol, e tenho grande predileção por aqueles que acontecem nas montanhas. Isso deve ser coisa de mineira, né? Lembro-me uma vez, eu estava com meu pai, um grande apaixonado por fotografia, e fomos para um bairro bem alto aqui em Belo Horizonte para tirarmos fotos do pôr-do-sol.
Eu sou da teoria de que pores-do-sol são inspiradores. Aliás, acho que isso não é uma mera teoria, estou certa de que tenho inúmeros seguidores no que concerne a esse assunto. Um pôr-do-sol bonito é algo que você quer compartilhar junto a uma pessoa que você ama, independente de quem seja.
O pôr-do-sol nas montanhas é lindo porque a gente vai olhando para aquela bola de fogo desaparecendo no horizonte. Quando o céu está limpo a gente o vê mudando de cores e vai presenciando a estrela desaparecendo lentamente atrás dos montes dando lugar para a lua que surge de longe. Embora eu tenha um medo horrível de altura, acho muito romântico ir a pousadas nas montanhas, de onde a gente consegue ter uma vista privilegiada do fenômeno pela janela. Pôr-do-sol, lareira, vinho e cobertor de orelha é a combinação perfeita para transformar um chalé no meio da montanha em um local avassalador.
A natureza certamente é um importante atributo para transformar os nossos lugares cotidianos em lugares românticos. Por isso amo a varanda do meu apartamento: ela tem uma vista tímida para uma montanha, que no fim da tarde fica toda iluminada quando o sol dá lugar para a lua.
Apesar de dizer que tenho predileção por pores-do-sol nas montanhas, até a minha lua-de-mel, eu nunca havia experimentado outro pôr-do-sol, segundo muitos, tão romântico quanto aquele das montanhas: o pôr-do-sol no mar. Por razões que a ciência explicará melhor do que eu, o pôr-do-sol no mar não pode ser visto de qualquer lugar. E aqui no Brasil existe um lugar paradisíaco chamado Jericoacoara onde isso pode acontecer. Devo confessar, realmente foi inesquecível e fiquei balançada pelos dois pores-do-sol que assisti ali. Primeiro porque eles são de uma beleza estonteante, e segundo porque tive o privilégio de ter alguém especial do meu lado para dividir esse momento.
Meu marido e eu demos sorte de viajarmos na época em que se vê o melhor pôr-do-sol da cidade: entre junho e julho. O primeiro que vimos foi o da Pedra Furada. Nós somos pessoas assim, um tanto quanto sedentárias, e no meio do caminho que seguimos para chegar à tal Pedra Furada já estávamos quase certos de que tínhamos entrado em uma furada. Para se ter o privilégio de assistir a esse pôr-do-sol, precisamos caminhar durante 1 hora, passando por pedras, pela água e por montanhas cheias de pequenos penhascos. Andar na areia fofa subindo e descendo certamente não é uma das tarefas mais fáceis para quem não está muito acostumado a esse tipo de exercício. No entanto, ao chegarmos lá e vermos a Pedra Furada, tivemos o sentimento de que aquilo havia valido a pena. É uma visão maravilhosa assistirmos ao pôr-do-sol em um lugar assim tão selvagem, só a gente e a natureza. Por sorte nessa época o sol se punha exatamente dentro do buraco da pedra. Essa foi a cereja do bolo! Não poderia ter valido mais a pena aquela 1 hora de caminhada, que iria então se repetir na volta para o hotel.
No dia seguinte fomos assistir ao espetáculo do fim do dia de outro ponto estratégico: a Duna do Pôr-do-sol. Lindo! Como sempre em locais onde a natureza ainda está preservada, nenhuma beleza vem sem esforço. A subidinha na duna é de matar, principalmente porque nesse horário o vento quase leva a gente embora, e a areia bate forte contra o nosso corpo, deixando a pele vermelhinha e arranhada… Mas, tudo é válido. Câmera fotográfica nas mãos, sentada na duna ao lado do marido, não pôde ter espetáculo mais lindo aquele dia do que ver o sol lentamente se escondendo no mar… Boas lembranças, bons momentos, que indico ao compartilhar. Embora eu seja uma mocinha das montanhas, devo persuadi-los a irem à Jericoacoara ao menos uma vez na vida, porque, sem querer menosprezar o das montanhas, o pôr-do-sol no mar é sem dúvida uma das coisas mais lindas que um lugar romântico pode oferecer àqueles que se amam.

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

2 comments on “Sobre o pôr-do-sol

  1. Querida, acho bastante bucólico o por do sol. Aqui onde moro existe um lugar onde você vê o sol se por atraves do rio que banha a cidade.
    É maravilhoso, e mais, nos dimensiona realmente. Porque vemos que diante da grandeza da natureza somos grãos.

    E isso vale também para nossos problemas.

    Realmente, minha linda, vc escreve muito bem.
    Adoro seus textos.
    Beijo carinhoso
    Tia Zé

  2. Sou carioca e adoro ver o pôr-do-sol do posto nove em Ipanema, sempre que estou no Rio.
    Estou casado com a mineira Leda Chaves, tenho 6 filhos e 4 netos e, desde 2005 também moro no Buritis.
    Saudações cordiais,
    Antenor Rangel
    Email:dadrangel@gmail.com

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