Romantismo Oriental

Eu nunca gostei de comida japonesa. Sempre achei meio estranha a idéia de comer peixe cru, e também não me agradava muito a textura das algas na boca.
Dizem por ai que quando um rapaz quer conquistar uma mocinha, invariavelmente depois do cinema ele a leva a um japonês. Fiquei pensando a respeito. Cesar se não tivesse ficado sabendo logo de cara que comida japonesa não era a minha favorita, talvez tivesse me levado em um quando começamos a namorar.
Fico aqui pensando: Talvez até haja um fundo de verdade nisso. Vejam o caso da minha irmã, por exemplo. Ela também não gostava de japonês, mas acompanhando um namorado ela passou a freqüentá-los, aprendeu a comer de hashi e hoje já tolera a textura do salmão cru e mais, diz que gosta. Fantástico e ao mesmo tempo um mistério: uma pessoa que passou a vida inteira não gostando de japonês, se deixou seduzir pelo restaurante e também pelo namorado!
Diante dos mistérios da paixão que rondam tais emblemáticos lugares de conquistas, decidi que eu deveria experimentar algo do tipo, afinal de contas eu precisava entender qual é o elixir do amor que paira sobre esses lugares.
A decisão não foi tão rápida assim. Comecei aos poucos provando sushis de “mentira”, que embora fossem feitos com peixe cru, vinham cobertos de queijo cheddar, assim o gosto do peixe ficava disfarçado. Comecei comendo japonês em restaurantes a quilo que possuem sushi mans que abrilhantam o buffet.
No entanto, acabei me rendendo verdadeiramente à comida japonesa em um restaurante magnífico que Cesar e eu fomos em Miami esse ano, acompanhados do tio Celso e da tia Ângela. Segundo Cesar, aquele foi o melhor sushi de atum que ele já comeu na vida, porque o peixe realmente era fresco. Foi ali que eu acabei comendo um ebbi sushi e um sushi Califórnia. Ironicamente adorei. A textura do camarão cru não me foi assim tão repugnante, e obviamente eu pude também comer uma série de pratos quentes que ajudaram a completar a refeição.
Pois bem. Depois dessa experiência razoavelmente bem sucedida em Miami, que devo até confessar, não teve nada de romântica mas foi um agradabilíssimo encontro entre amigos; cheguei a Belo Horizonte com a mente mais aberta para experimentar os novos sabores que a culinária oriental teria a me ofertar.
Foi assim que oito anos depois do inicio de nosso relacionamento, Cesar finalmente me levou pela primeira vez a um restaurante Japonês. Ele queria que eu fosse iniciada em grande estilo, portanto ele me levou ao Hokkaido, um dos melhores restaurantes de comida japonesa de BH.
Como boa observadora que sou, obviamente olhei vivamente para todos os lados do lugar. Ele estava coalhado de casais. O Hokkaido fica no Ponteio Lar Shopping aqui em Belo Horizonte, e Cesar e eu decidimos que nos sentaríamos na parte de cima do restaurante, pois assim teríamos uma vista panorâmica do lugar. Essa foi uma excelente idéia. Olhando para baixo ironicamente percebi um dos possíveis motivos de os rapazes gostarem de levar as mocinhas a restaurantes japoneses: o Sakê! Tinha uma mocinha sentada na mesa abaixo de onde nós estávamos que estava virando aqueles potinhos quadradinhos de sakê ao lado do namorado, que provavelmente estava pensando: bem, tenho que deixá-la bêbada, mas não em coma, do contrário não vou me dar bem hoje!
Brincadeiras à parte, eu acho que entendi o que tem de especial nos japoneses. O clima! É bem possível também que as comidas tenham um quê de afrodisíacos, porque aquela raiz forte é bastante picante, a ponto de fazer-nos chorar quando exageramos na dose.
Existe um clima bastante exótico ligado à cultura japonesa e aos seus restaurantes. O fato de você muitas vezes ter que tirar os sapatos para entrar nos restaurantes, o sentar-se no chão para comer, a música típica baixinha acompanhando a refeição, o exotismo da comida em si: tudo isso contribui para a criação de uma fantasia romântica que aparentemente é muito bem sucedida.
A submissão feminina que paira sobre a cultura japonesa talvez seja uma válvula propulsora para que os homens considerem tais restaurantes como lugares românticos: aquela mulher delicada, que fala baixo, anda silenciosamente pelos locais, sempre bem vestida pronta para realizar todos os seus desejos. Por outro lado, a figura daquele homem seguro, protetor, guia, de certa forma também faz parte do imaginário feminino do príncipe encantado. Tudo isso misturado a uma dose de exotismo fabrica culturalmente para nós aquilo que talvez seja um dos lugares românticos mais rentáveis do ramo da gastronomia.
Eu devo confessar: salmão cru ainda não como não. Mas de vez em quando Cesar me faz experimentar coisas novas, chegando aqui em casa com bandejinhas cheias de delícias orientais para comermos com hashis. Já fiquei fã do camarão cru e de versões mais ocidentais do sushi. Aprendi a comer de hashi, agrado de uma água ardente e tolero bem a raiz forte. É, talvez eu já esteja mesmo me deixando seduzir, me deixando guiar por uma figura masculina segura e cheia de coisas novas para me mostrar. É, acho que é assim mesmo que as coisas funcionam, sempre chega um momento em que a gente se rende ao novo, ao inusitado, ao romântico e sensual. Não tenho do que reclamar, não mesmo, tenho adorado as novas experiências, e o melhor de tudo: hoje já posso eleger novos lugares românticos para a minha vida. O que vocês estão esperando hem? Corram, peguem seus pares e sigam para o japonês mais próximo para encher a cara de sakê!
Até a próxima!

4 comments on “Romantismo Oriental

  1. Querida, tenho o parceiro romântico, seguro e que adora experimentar coisas novas, e que curiosamente já me levou em um restaurante japonês, rs.
    Mas… confesso a vc que adoro tudo que vc disse, o clima, a música baixinha, mas… ficamos por aí mesmo.
    Peixe cru, ainda naõ é minha praia.

  2. Adorei o texto..
    Se eu parar para refletir, acho que você tem razão. O clima de um restaurante japonês é muito agradável, romântico, mas nada apelativo.
    Adorei a brincadeira do saquê, eles de fato tentam nos embebedar.. hahhaah
    Bjaooo querida

  3. Seus textos são ótimos, parabéns.

    Eu tambem fui fisgada pela comida japonesa, 5 anos atrás, por um novo amor 🙂

    Hoje, mesmo não estando juntos mais, eu continuo comendo. ADOROOOOOOOOO. Mas o saquê não gosto mesmo

    Beijao

    Maysa

  4. Minha estória é meio parecida com a sua… A não ser pela parte onde eu prefiro a música alta. Tem o Lord Pub, aí em BH, onde tem música dos anos 80, no domingo, e um sushi bar no piso superior, como os nomes de cada prato sendo os mesmo nomes das bandas que tocam lá. É um lugar bacana de se levar os amigos.
    NO domingo tem Chevett Ratch.
    bjOO

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