Dica para sair da rotina: pequenos passeios juntinhos no meio da semana

Três por dois recebo aqui pelo blog e-mails de pessoas me pedindo alguma dica para sair da rotina. Vocês já repararam que sempre que pensamos em fazer algo romântico nossa cabeça nos leva aos clichês de sempre? Essa semana me peguei aqui pensando nisso e principalmente, me peguei pensando no meu próprio dia-a-dia de casada. O que eu faço para sair da rotina? Foi assim que comecei a pensar no quanto nos limitamos hoje em dia em função de inúmeras razões.

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Dica para sair da rotina: passeios pelos locais públicos agradáveis da cidade

Ao mesmo tempo em que a cidade possui várias opções para os apaixonados, ela também limita os lugares românticos que podemos frequentar com tranqüilidade. Não é que eles não existam. O problema é que as desigualdades sociais, junto às falhas políticas de segurança pública, não permitem que estejamos tranquilos ao trocar juras de amor em um coreto no meio de uma praça pública de madrugada.

Dica para sair da rotina dos tempos da vovó

Lembro-me de minha avó contando do footing na Avenida Afonso Pena. Uma caminhada na qual as moças trajavam suas melhores roupas e os rapazes, bem aprumados, procuravam as mais belas moças pelas quais poderiam se apaixonar. Esses eram tempos de amor inocente. Não era perigoso andar pelas ruas, e muitas vezes elas eram os lugares mais românticos que uma cidade poderia ter.

Minha avó Nialva e meu avô Fernando passeando de mãos dadas na Avenida Afonso Pena aqui em BH saindo do teatro Francisco Nunes

Hoje, nossos lugares românticos estão nos cinemas dos shoppings, nos restaurantes aconchegantes, nas pousadas. Mas e os espaços públicos? Temos lindas praças românticas em Belo Horizonte. A Praça da Liberdade, por exemplo, cheia de flores. A Praça do Papa e a sua vista maravilhosa da cidade no momento do pôr do sol. Temos ainda a Praça Raul Soares, que foi inclusive reformada recentemente.

Praça do Papa e sua vista linda para BH

No entanto, esses locais não são tão mais seguros quanto o eram antigamente. Muito embora a cidade esteja trabalhando muito para mantê-los revitalizados, chega determinado horário em que eles são perigosos de serem frequentados.

Saudades de tempos que não vivi

É engraçado eu ser saudosista de algo que nunca tive. Quando comecei minhas incursões em busca de lugares românticos eu já estava na geração shopping Center e cinema multiplex. No entanto, não posso negar que sempre que bato os olhos em fotos antigas da cidade, especialmente as dos antigos cinemas de rua, sinto falta de lugarzinhos assim para passear de mãos dadas.

Cine Brasil na Praça Sete em BH na década de 1940

Mas é aquela história: quem não tem cão, caça com gato. No bairro onde moro posso não ter os cenários e o cinema como nas antigas. Mas devo confessar que ultimamente tenho experimentado algo do tipo aqui no Buritis. 

Passeando de mãos dadas pelas ruas do bairro

Todas as quintas-feiras existe um projeto organizado pela associação do bairro chamado Quinta na Praça. Trata-se de uma feirinha com barraquinhas de artesanato e comida que funciona às quintas-feiras pela noite na pracinha Aroldo Tenuta. A primeira vez que fui lá, segui o faro do acarajé. Quitute baiano que amo. Meu marido não costuma me acompanhar nisso porque o quitute é uma bomba calórica à base de bolinho de feijão, frito no azeite de dendê, recheado com camarões fritos, vatapá, caruru, tomates verdes e pimenta.

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Praça Aroldo Tenuta Bairro Buritis BH

Depois de irmos lá algumas vezes, nós dois percebemos que aquele ali era o nosso namoro de mãos dadas à pé semanal. Geralmente às quintas-feiras pegamos a nossa cachorrinha e descemos a pé para a feirinha. Não quero afirmar veementemente que o Buritis está livre da criminalidade e que se pode andar calmos e tranquilos de madrugada pelas ruas. Mas no caso do caminho para a feirinha, a rua é toda movimentada, cheia de crianças, adultos e outros cachorros, o comércio está aberto nas imediações, então nos sentimos mais tranquilos. Estamos muito pertinho de casa.

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Dica para sair da rotina: comer acarajé na feirinha do bairro!

Um pouco de romantismo na rotina árida

Ao observar a tônica da feirinha, eu acabei percebendo que ali, naquele ambiente tão familiar, poderia haver espaço para o romantismo. A música ao vivo é de qualidade. Meu marido e eu descemos para a feirinha de mãos dadas, conversando sobre o dia, namorando, segurando a cachorra… Eu compro o meu acarajé. Ele, quando decide abusar, compra um pastel frito de queijo. Sentamos então na praça, nos degraus do anfiteatro para saborearmos as delícias e nos curtirmos enquanto contamos o que fizemos durante o dia.

Zoe, a nossa cachorrinha!

A caminhada de volta é tranquila. Andamos devagar, para que possamos aproveitar os mínimos detalhes do passeio. Ao chegarmos ao prédio, deixamos a cachorrinha correr livre pela garagem. Nós dois nos sentamos na bancada de ardósia do jardim e terminamos a noite assim, olhando nossa cachorrinha se divertir, e pensando o quanto somos privilegiados por podermos nos dar ao luxo de irmos à feirinha na esquina de casa nas noites de quinta-feira.

Até a próxima!

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

1 comment on “Dica para sair da rotina: pequenos passeios juntinhos no meio da semana

  1. Querida, nunca fui a essa feirinha, mas certamente deve ser uma delícia.

    Bom, não sou da idade de sua vó, mas vivi ja´um tempo diferente do seu. No Barreiro, onde morávamos, existia uma avenida cheia de barzinhos, e o forte lá era o domingo a noite, depois da missa. Toda a minha geração adolescente vivia isso com intensidade. A gente assistia a missa com a intenção de paquerar depois.
    Ficavamos em pé nas calçadas, consumindo nada, mas olhando. E nisso rolavam os flertes, e namoricos.
    Meus primeiros namoradinhos eram todos pós-missa.
    Peguei também os shoppings, enquanto ponto de encontro. Mas nessa época, a Praça da Liberdade tinha sido recém reformada, e era lá que eu e o Alan trocávamos juras de amor, após as idas ao Belas Artes Liberdade, que eu amava.

    Acho que a geração atual precisa resgatar isso. Porque acredite, é delicioso da gente se lembrar quando passa.
    Beijokas
    Mary

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