Love is in the air in San Francisco…

Esse blog ficou abandonado durante muito tempo. Mas, para me redimir desta grande falta, aqui vai uma série especial imperdível para aqueles que querem passar uma super lua-de-mel em alto estilo fora do país. Hoje vou falar sobre San Francisco, na Califórnia, e no próximo texto falarei do vale dos vinhedos, mais especificamente da pequena e pacata cidade de Sonoma.

A primeira imagem que temos de San Francisco, antes de a conhecermos, é a daquele lugar cheio de ladeiras, chineses e gays. Pensamos também em terremotos e naquele bondinho que vai pra cima e pra baixo na cidade. Lembramos também da Golden Gate Bridge e para aqueles que viveram a geração anos 1960/1970, não há também como não pensar no movimento Flower Power, que foi um dos maiores disseminadores da idéia de paz e amor, e teve grandes nomes da música envolvidos: The Doors, Gratefull Dead, Jefferson Airplane, dentre outros.

No entanto, depois de ir à San Francisco posso afirmar com certeza que essa cidade é muito, muito mais do que isso. As ladeiras aparentemente cansativas de se subir e descer estão cheias de história e a cada passo que damos nos deparamos com pessoas extremamente solícitas, dispostas a ajudar um pobre turista perdido, ou ainda simplesmente dispostas a fazerem novos amigos. Parece que de fato o lema paz e amor que tanto circulou no mundo nos anos 1960 e 1970 continua a pairar no ar desta cidade.
No primeiro dia em San Francisco, meu marido e eu pedimos algumas dicas para o mensageiro do hotel de lugares onde poderíamos comer. Ele nos deu uma meia dúzia de dicas, e optamos por experimentar o happy hour em um bistrô mexicano nas proximidades. Obviamente nos perdemos no caminho. Mas isso em San Francisco não é problema. Assim que nos vimos perdidos ao menos umas três pessoas pararam na rua e nos ajudaram a chegar ao bistrô mexicano Colibri http://www.colibrimexicanbistro.com.
O lugar é delicioso. Na vitrine uma variedade de garrafas de tequila que eu nunca tinha visto na vida. Os garçons de uma simpatia ímpar, o lugar super aconchegante, com uma iluminação baixa, bancos em estilo norte-americano, bem mais adequados quando queremos sentar abraçados lado a lado. A comida… ahhhh nem se fala. Talvez eu ainda precise ir ao Perú para encontrar outro Ceviche que seja tão maravilhoso quanto o que meu marido e eu comemos neste lugar. A Marguerita que tomamos, contrariando as receitas mais tradicionais, não tinha contreau. Segundo o barman essa marguerita não levava contreau porque eles usam nela uma tequila orgânica de qualidade excepcional que não necessita de muitos ingredientes para fazer com que ela se transforme em uma experiência deliciosa. Devo confessar que ele tem uma certa razão. Até agora essa foi a melhor marguerita que já tomei.

Depois de uma boa comida, boa música e bom papo com pessoas novas e interessantes, nada mal dar um passeio pela cidade. Meu marido e eu saímos do bistrô e fomos conhecer a maior china town do mundo. De fato, San Francisco é uma cidade cheia de chineses, e junto deles, por toda china town encontramos salões de beleza, casas de massagem e acupuntura, mercadinhos de legumes e verduras frescas, lojinhas com importados asiáticos e, obviamente, as famosas lavanderias. Um breve passeio pelas ladeiras enfeitadas por dragões e balões chineses é o suficiente para nos apaixonarmos. O calor da cor vermelha, os sorrisos das pessoas que passam por nós, a liberdade sexual da cidade, que nos faz encontrar com naturalidade todos os tipos de casais felizes e apaixonados sentados nos cafés, tudo isso junto torna-se uma experiência romântica e acaba fazendo com que tenhamos vontade de subir as ladeiras abraçados. O ar da cidade nos faz bem.

San Francisco, assim como Nova Iorque, tem também uma Little Italy, e assim como em Nova Iorque, aos poucos China Town se espalha invadindo o bairro italiano. No entanto, em meio a essa mistura conseguimos extrair sem dúvidas o melhor dos dois bairros, e acabamos vendo no meio dos chineses cafés italianos e restaurantes maravilhosamente românticos. Como o Volare, pertinho da Washington Square. Lá a ambientação é bem sul da Itália. Tem fotos da Sicilia e da Sardenha por todos os lados. Os tampos das mesas são enfeitados com postais e fotos da bela costa mediterrânea italiana. Os pratos são de dar água na boca e a seleção de vinhos é de qualidade e honesta. Comi um talharim à lá Parlemitana fantástico: com molho vermelho, camarões, vieiras e outros frutos do mar. Meu marido comeu vitella ao molho de vinho com prosciutto, e antes disso já tínhamos nos deliciado com o melhor carpaccio do mundo. A trilha sonora e o vinho em abundância ajudam a manter o clima de romance. Finalizamos nossa orgia alimentar dividindo um tiramissù que estava maravilhoso e saímos dali com gosto de quero mais.
Na hora de escolher o hotel onde se vai hospedar em San Francisco é preciso pensar em algumas coisas. A primeira dela é a localização, a segunda o preço, e a terceira, se você estiver como meu marido e eu, com carro alugado, o estacionamento. A cidade, depois que a gente estuda bem o mapa, não é difícil de ser decifrada. É razoavelmente fácil andar por ali. O mais interessante é pagar um hotel numa região bem central, como Cesar e eu fizemos. Ficamos hospedados em um aconchegante hotel bem no coração da cidade, na Union Square, chamado Chancellor http://www.chancellorhotel.com/. Não preciso nem dizer que o lugar é um charme!
Ele ainda mantém as características do tempo em que foi construído, 1914. Um possível inconveniente para o hospede de verão é que o hotel não possui ar condicionado nos quartos, que contam somente com ventiladores de teto. No entanto, os quartos são quentinhos no inverno, extremamente limpos, arrumadinhos. As camas super confortáveis os banheiros estão dentro do quarto, temos conexões de internet gratuita e uma equipe 100% comprometida em fazer com que a nossa estadia seja a mais prazerosa possível. Ficamos felizes por escolher esse hotel. Por uma taxa a mais por dia o hotel nos oferece um estacionamento há um quarteirão de distância, que sai mais em conta junto ao hotel do que se fosse contratado sozinho. Estacionamentos em San Francisco são difíceis e caros.
O Chancellor nos permite sair pelo centro da cidade sem precisar tirar o carro da garagem. Bem na frente do hotel temos um ponto do bondinho, sabe, esses que a gente anda pendurado? Pois é: cartões postais da cidade. Eles nos levam basicamente para todos os lados do centro, então são uma excelente idéia tanto para passear quanto para economizar dinheiro. Uma boa pedida é comprar o city pass de San Francisco. Por algo em torno de 64 dólares você compra passes gratuitos durante sete dias para os bondinhos e para os ônibus elétricos da cidade, além das entradas pra cinco atrações imperdíveis na cidade (o museu de ciências naturais, dentro do golden Gate park, o aquário que fica dentro do píer 39, o passeio de barco que passa pela Golden Gate e por Alcatraz- um capítulo à parte no quesito romance; o museu de arte de San Francisco e ai você escolhe entre o Exploratorium, programa mais voltado para crianças, ou o Young Museum, também dentro do Golden Gate park). Ficamos três dias em San Francisco e o city pass valeu muito, muito à pena. Pegamos os bondes o tempo todo para não ter que subir ladeiras, e quanto às entradas dos museus e atrações, gastamos todas! O museu de ciências naturais, em especial, é imperdível.
Imperdível também é o passeio pelo Píer 39. A primeira vista ele parece uma armadilha para turistas, e de fato o lugar pode ser exatamente isso se você não tomar cuidado para não jogar seus dólares nas garras dos fotógrafos que vão te cobrar 20 pratas por uma foto com a Golden Gate no fundo e coisas assim. No entanto os restaurantes de lá são excelentes e absolutamente românticos. O passeio de barco também é imperdível. Sentir o vento batendo no rosto, passar bem debaixo da Golden Gate, aquela obra prima da arquitetura… e tudo isso abraçadinho: impagável! Passear pela marina de San Francisco também é algo maravilhoso. Cesar e eu resolvemos um belo dia sairmos de carro pela cidade, sem rumo, e fomos para o finalzinho da marina, bem pertinho do inicio da Golden Gate. O dia estava com muito vento, um pouco frio, no entanto vimos várias famílias e casais locais fazendo pic-nic e se divertindo com seus filhos e cachorros na areia. Foi muito bom sentar ali naqueles bancos e respirar aquele ar deliciosamente frio longe das áreas cheias de turistas.
Passeios pela cidade podem ser extremamente românticos. Experimentem, por exemplo, descer a Lombard Street de carro. Essa é a rua mais curva do mundo, e é uma experiência absolutamente divertida fazer isso repetidas vezes. Outro passeio imperdível é a coit tower. Não tivemos ânimo de subir até o seu topo, mas a vista é maravilhosa do morro onde ela está construída. O morro é mais ou menos como o nosso mirante, em Belo Horizonte, mas um pouco mais organizado. E lá ainda tem um dos famosos banheiros de San Francisco que se lavam do teto ao chão depois que uma pessoa o usa. Imperdível: mesmo que não estejam com vontade, entrem no banheiro e experimentem. É uma experiência super divertida! 
Outro lugar maravilhoso para um passeio descompromissado a dois é o Golden Gate Park. Esse é uma espécie de Central Park de San Francisco. Lindo, florido, cheio de museus para visitarmos, além, é claro, de ter as lindas áreas gramadas onde podemos nos sentar, lanchar, dormir, namorar, ler livros… enfim… encontrar a paz.
Indo a San Francisco, não se esqueçam de sair pra tomar café da manhã fora do hotel. Todos os dias temos experiências deliciosas com os locais diferentes da cidade. Um em especial é impagável: o Lory’s. Ambientação americana, anos 1950, jukeboxes por todos os lados, rock dos anos 1950 e 1960 tocando, decoração bem no estilo das lanchonetes desta época e com isso um clima romântico anos 1950, bem James Dean e Marilyn Monroe. Uma ótima forma de se começar o dia, não? Panquecas, maple syrup, ovos mexidos, muffins e suco de maçã, no melhor estilo norte-americano!
Saindo de San Francisco, passando pela Golden Gate encontramos paisagens maravilhosas. É pra este lado que estão as praias mais bonitas e também é por essas bandas que encontramos algumas belas florestas de Red Woods. São também essas estradas que rumam para o norte que nos levam para o vale dos vinhedos, mais especificamente para a famosa Napa Valley, e da pacata Sonoma… Mas essas são cenas para o próximo capítulo! Até a próxima!

Serviço:

Chancellor hotel: 433 Powell Street, San Francisco, CA 94102 http://www.chancellorhotel.com
Colibri Mexican Bistro: 438 Geary Street, San Francisco CA 94102 http://www.colibrimexicanbistro.com
Lori’s Diner 149 Powell Street, San Francisco, CA 94102 http://www.lorisdiner.com/home.html
Volare Trattoria: 561 Columbus Avenue, North Beach, San Francisco, CA 94133

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

1 comment on “Love is in the air in San Francisco…

  1. Que rica descrição Nicole, adorei e aguardo ansiosa os próximos textos da série. Certamente já tenho muitas referências para a minha próxima (e primeira, rs) ida à San Francisco… parabéns pela viagem e pelo trabalho… te espero em sampa….

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