Romantismo em alto mar

Este ano prometi trazer novas experiências para o blog. Pois é, pensando nisso, e claro, em busca de um carnaval diferente, acabei me embrenhando em uma aventura em alto mar com mais seis mulheres. Minha irmã fez o convite, suas amigas já estavam programadas, e então lá fui eu. Destino? Santos, Itajaí, Montevidéu e Buenos Aires. Navio? Empress da Pullmantur.

Inicialmente pensei que a coisa poderia não ter absolutamente nada de romântico, já que estávamos em um carnaval e num navio. “Carnavios” costumam sair por ai durante o carnaval prometendo uma semana de esbórnia em todos os sentidos. A nossa experiência até poderia ter sido assim se quiséssemos, bastava termos escolhido outra rota, outro barco, outro tudo. No entanto, logo em Santos, na fila para o check-in das malas, percebemos que o grande público daquela viagem era formado por casais. Logo pensamos: sete mulheres solteiras em um barco cheio de casais! Meu Deus! Mas junto a esse pensamento, quietinha no meu canto eu comecei a observar a experiência com os olhos da blogueira que sempre está em busca das melhores aventuras para se viver a dois.
Confesso que inicialmente me perguntei bastante se aquela seria uma experiência que eu repetiria com um companheiro. É que achei muito cansativa a ida de BH para Santos e depois a espera no porto até o horário do embarque. A estrutura do porto de Santos não é das piores, mas uma garrafinha de água mineral lá custa R$4,00. Então se você sai de ônibus de BH às 20h, chega a Santos às 05h30min da manhã e tem que esperar até às 13h para começar a embarcar no navio, convenhamos: não há clima romântico que sobreviva a isso.
Tirando esse pequeno inconveniente da espera, (que sete dias depois se repetiu também na volta e que no momento em que eu o vivia não parecia tão pequeno assim), quando entramos no barco o nosso humor muda. Para quem nunca se aventurou por peripécias em alto mar, tudo ali dentro é uma novidade: aquela estrutura toda é gigantesca: 10 andares, elevadores panorâmicos, cassino, restaurantes, lojas, bares, piscina, salão de beleza, academia de ginástica, parede de escalada, teatro, discoteca e mais um monte de outras coisas. Assim que embarcamos somos instruídos a irmos para as nossas cabines nos acomodarmos. As malas chegam lá na porta algumas horas depois do embarque, então é sempre bom ter um biquíni na bagagem de mão para começar a aproveitar a piscina. Meia hora depois do embarque a tripulação faz um exercício simulando uma situação de urgência para apresentar aos novos ocupantes os procedimentos de segurança e para mostrar para qual lado do navio cada um deve ir caso ocorra uma real emergência. Cada ala tem o seu bote salva-vidas localizado em pontos diferentes do barco.
Pois bem… até ai ok. Estamos cansados da viagem, querendo comer alguma coisa, querendo conhecer o barco, querendo usufruir do all inclusive e matar a sede com alguma coisa na beirada da piscina. É só ai que começamos efetivamente a respirar e a curtir o momento. Hoje, duas semanas depois de ter voltado de minha aventura em alto mar, digo que sim, barcos são lugares românticos. A equipe de animação tem atividades quase 24h por dia, programadas para não deixar ninguém parado: festas, bingo, concursos, brincadeiras, shows de música com grupos de samba, sertanejo, enfim, muita coisa mesmo. Só que cabe a você, passageiro, escolher se quer ficar na loucura das bagunças da equipe de animação ou não. Tem espaço para tudo. Claro que ficar junto da equipe de animação garante boas risadas. Por outro lado, se queremos momentos mais tranquilos junto de quem a gente gosta, o ideal mesmo é criar a sua própria rota de exploração do navio e participar pontualmente das festas e atividades da equipe de animação.
Tive meus momentos de ovelha desgarrada no navio e embora eu tenha curtido algumas atividades da equipe de animação, dei minhas voltar por ali para ver o que eu faria se estivesse com minha cara-metade. Pois bem, vou começar no óbvio: a cabine. Se eu estivesse ali com alguém certamente a minha cabine seria dos lugares onde eu mais gostaria de estar. Algumas das meninas ficaram em cabines sem janela. Nada feito. Para se ter uma experiência mais romântica eu até aconselharia aqueles que podem gastar um pouco mais, a reservar cabines de luxo, que tem a varandinha. A minha tinha uma escotilha, dava pra ver o mar dali. Já era bem mais legal do que as que não tinham janela nenhuma. O lugar é apertadinho, mas não penso que isso afete o clima romântico do lugar. O mar balançando (sim, gente, balança mesmo), o cheiro de maresia entrando pela varandinha aberta, o barulho das águas e o simples fato de se estar em um navio, aguçam bastante o imaginário e as sensações. Tomar um vinhozinho, de noite, na varanda da cabine é absolutamente tudo de bom!
Outro lugar que achei super gostosinho dentro do barco é a região da piscina. Não a piscina em si, pois ela fica muito cheia. Principalmente na semana em questão em que eu estive lá, o sol esteve presente todos os dias e então a farra acontecia ali mesmo. Fugindo desta parte, existe um deck acima da piscina, que tem uma vista maravilhosa pro mar. Ali é mais vazio, a gente pode deitar numa espreguiçadeira e ficar namorando olhando pra aquele marzão infinito. Tudo de bom. Só não pode esquecer o filtro solar, porque como ali é muito alto, venta demais, e com o sol rachando a gente nem sente o tanto que está queimando (minhas costas que o digam).
Os restaurantes do barco são bem legais. Existem os que estão no sistema All Inclusive, que são o buffet ao lado da piscina, no deck 10, e o restaurante onde jantamos diariamente com menu ala carte. No entanto, neste baco em questão onde estávamos, tinha um outro restaurante, que era serviço ala carte cobrado por fora do sistema all inclusive, que era tudo de bom. Um lugar super aconchegante, com ares mais exclusivos. A comida era fusão oriental. Para aquele dia que você quer ficar a sós com seu companheiro(a), acho que vale a pena investir no restaurante e se fartar de um bom vinho. Depois vai um segurando o outro até chegarem à cabine, morrendo de rir, rumo a mais uma noite encantadora sob a luz das estrelas com o barulhinho do mar de fundo. Tem como não ser romântico?
Existem também no barco lugarzinhos pouco frequentados por aqueles que buscam a farra, mas que podem ser muito mais bem aproveitados por quem está querendo sossego e namoro. Lá dentro eles têm uma bibliotecazinha e uma sala de leitura. Eu sou leitora contumaz e a sala de leitura é dos lugares mais agradáveis do mundo. As cadeiras são confortáveis e a gente fica ali com aquela vista do mar deliciosa. Gente, nem sei descrever para vocês o tanto que aquilo descansa. Conheço vários casais por ai que adorariam ficar ali juntinhos, de mãos dadas, sentados com um livro na outra mão.
O piano bar é outro lugar que durante a tarde fica bem agradável para se estar à dois. Ele não está super cheio, no geral tem uma musiquinha ao vivo piano e voz que é super agradável e toca bastante mpb. O bar de lá é bem bacana e a gente fica ali bebendo um drink ou um bom café enquanto o tempo passa. Os espetáculos da noite no teatro são também um programinha bem bacana. A equipe de artistas que trabalha a bordo é de primeira linha. Confesso que fiquei particularmente impressionada com o talento da dupla de clowns que se apresentou numa das noites. Um espetáculo lindo e sensível. Me deu saudades dos tempos de quando eu era pequena e ia ao circo. Circo mesmo, não essas apresentações Broadwayanas, que são lindas também, mas que são bem diferentes da essência do circo do passado. Os shows de música e dança também não deixaram a desejar. As apresentações acontecem antes e depois dos jantares. Então um dia ou outro, vale a pena conferir a programação e curtir um pouco de arte em alto mar.
Os Garçons Darwin e Eduardo
com a turma: Uns amores!!
Um momento que não da para não trazer à tona, mas que particularmente, não é assim tão provido de romantismo, é a noite do capitão. O divertido da coisa é brincar de glamour, vestir um longo de festa, fazer uma boa maquiagem e ir conhecer o capitão do navio. É servido um coquetel durante a aparição do tripulante, e ali nesta cerimonia são apresentados todos os chefes de setores que trabalham no barco. A tripulação toda conta com mais de 600 pessoas, é realmente algo muito bacana ver como aquilo tudo funciona bem, e principalmente, ver como somos tratados bem ali dentro do barco. Salvo raras exceções que aconteceram com minhas amigas, todos os profissionais que estiveram diretamente ligados a nós: garçons, camareiros, equipe de animação, etc, foram extremamente solícitos, educados, amorosos e faziam de tudo para que nós nos sentíssemos bem. Então, com certeza, esse tipo de carinho, ajuda muito o romantismo a ficar aceso.
Mas o romantismo de se fazer um cruzeiro é somente ficar dentro do barco? Claro que não! A cada porto que chegamos, o barco fica ancorado para que possamos passear em terra firme. Fizemos três paradas, uma em Itajaí, outra em Montevidéu e outra em Buenos Aires. Todos três lugares muito legais de se passear a dois. Mais isso já é assunto pra outro post, não é?
Até a próxima!

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