Um fim de semana em Curitiba – O Jardim Botânico

Vocês devem achar que sou maluca, não é mesmo? Essa doida faz um post, some, depois de um longo inverno volta. Mas já explico o motivo: para um lugar ser romântico precisamos ir conhecê-lo na vibe de sentir. Não consigo escrever para o Lugares Românticos se eu não estiver sentindo de verdade que aquele será um post legal. Vou a muitos lugares com muita frequência, vários deles com um potencial romântico enorme, mas e cadê aquele comichão que dá quando sentimos o lugar para querer escrever sobre ele? Pois é… me pergunto quando é que estarei de fato curada dessa doença de esquecer como se sente o mundo. Em todo caso, acho que um começo está nascendo aqui e agora!

Uma pausa para respirar

Tirei um fim de semana só para mim há duas semanas e resolvi dar um pulinho em Curitiba, no Paraná. Sai de BH em pleno dia dos namorados (pois é, nem teve post pra galera de BH esse ano, mas vou me redimir, prometo!) e cheguei lá na própria sexta-feira de noite. Fazia um frio danado. Curitiba chovia horrores! Fui pra casa de um amigo dar umas risadas, colocar a costura em dia e deixei para o dia seguinte o início da minha exploração da cidade. Fiz meu check in no hotel no sábado por volta das 10h da manhã. Deixei minhas coisas lá e fui seguir os conselhos dos locais: ande à pé.
Tomei um banho, troquei de roupa, coloquei um sapato confortável, peguei minha câmera fotográfica e sai. Pedi direções ao pessoal do hotel sobre para que lado eu deveria ir. Me aconselharam comprar um tiquet da jardineira de turismo e ir parando onde eu quisesse. O ponto inicial era na Praça Tiradentes, há uns 5 quarteirões do hotel onde fiquei. Então perguntei: a caminhada é tranquila? (já que eu estava com minha câmera, etc e tal…) ao que o pessoal respondeu: fique tranquila, só não dê bobeira à noite! Foi o que fiz.
Dia 13 de junho é dia de Santo Antônio, logo de cara me deparei com uma igreja lotada de gente que buscava o famoso bolo de Santo Antônio para ver se desencalhava naquele ano! A fila estava imensa, nem deu vontade de entrar e enfrenta-la. Eu ainda tinha alguns quarteirões pela frente então precisava prosseguir. Cheguei finalmente à Praça Tiradentes e aguardei a jardineira chegar. A dica é realmente preciosa, pessoal, com R$35,00 por pessoa vocês compram seu passe e tem direito a 5 reembarques. Peguei o guia da cidade que eles nos entregam lá e pensei: para onde vou primeiro? Então não tive dúvidas: vou parar no Jardim Botânico! Miraculosamente o dia estava o oposto do anterior, fazia sol e até calor. Eu faria boas fotos ali.

Contato com a natureza

Cheguei ao Jardim Botânico, e como era de se esperar para um sábado ensolarado, ele estava bem cheio. Gostei muito de ver como os espaços verdes em Curitiba são bem cuidados e como a população efetivamente usufrui deles. Eu já tinha ido à Curitiba e ao Jardim Botânico há alguns anos, entretanto desta vez resolvi fazê-lo com mais calma, só do meu jeito, olhando as coisas que realmente me interessavam. Eu estava decidida a sentir o lugar, e de fato o senti. A estrutura da estufa é o que mais chama a atenção quando se chega, mas confesso que fiquei muito pouco tempo lá dentro. O que mais me encantou ali foi a possibilidade de sentar na grama, ler um livro despreocupada, olhar para o lago, respirar… enfim… curtir um solzinho em boa companhia. Sou pessoa cuja alma pulsa por liberdade, espaços públicos assim me encantam acima do normal.

Descobrindo através das lentes

Fiquei sem saber por onde começar a fotografar. A estufa estava lotada de gente. Comecei a praguejar contra todos os que estavam ali atrapalhando minhas fotos. Foi quando então respirei fundo e pensei: melhor mudar o paradigma! Tinha outro fotógrafo lá que senti que padecia da mesma impaciência que eu. Por um minuto cruzamos olhares de compreensão e começamos a rir daquilo tudo: “Pode fazer a sua foto!”, ele me disse, ao que eu respondi após meu click: “tranquilo, agora você pode fazer a sua, rssss” e sai da reta das lentes do cidadão. Muito simpático, mas nem me ocorreu de perguntar-lhe o nome. Cruzamo-nos várias vezes por aquele lugar, dando licença um para o outro, buscando os melhores enquadramentos e compreendendo tacitamente as necessidades que cada um de nós tinha de tentar registrar aquele lugar, que apesar de lotado, tinha a sua magia.
De repente, sentada ali num morrinho, contemplando os jardins meio labirínticos do Jardim Botânico, vejo dois anjos sendo fotografados. Olho para trás, e vejo várias pessoas levantando plaquinhas com letras. Quando olhei bem do que se tratava, estava escrito: “quer casar comigo?” De longe vejo um rapaz puxando a moça pelo braço, e ela dizendo: “Olha, que lindo! Alguém será pedido em casamento!”, Ela ainda não havia reparado no olhar de quem estava ao lado dela. De repente ele se ajoelhou e fez o pedido. “Típica ação de coragem que só se deve realizar estando certo do sim”, pensei. Mas um segundo depois me repreendi: “que falta de romantismo você, Nicole”! A menina estava chorando, até sem voz para responder. O rapaz acertou em cheio, e os amigos do casal também.

Reaprendendo a voar

Percorrendo outros cantos do Jardim Botânico, percebi que casais que buscam mais tranquilidade se afastam da região da estufa. É o que eu faria, se estivesse buscando sossego para curtir alguém ao meu lado. Não ligaria de dividir o meu espaço com aquele monte de pássaros que ficam pra lá e pra cá o tempo todo, voando, caminhando e ciscando a grama. Eu sentei ali e fiquei observando o movimento. De repente enquadrei bem uma foto e êis que achei um casal ali, exatamente do jeito que eu imaginava que um casal deveria estar naquele lugar. Não resisti! Acho que nem perceberam quando fiz aquela foto. Eu não estava mostrando somente eles, mas sim o conjunto de tudo: o lago, os pássaros, a cidade ao fundo, o sol, a grama e o casal.
Fiquei feliz da vida naquele início de passeio. Percebi que depois de muito tempo minha alma ainda pulsava dentro de mim, que bastava um pouco de introspecção, solidão e suspiros para que eu entrasse novamente naquela atmosfera que me era tão natural desde meus tempos de adolescente, quando eu me perdia em meus pensamentos e meu coração me fazia alçar voos quase intermináveis que só chegavam ao fim no momento em que eu despejava numa folha de papel todo aquele turbilhão de sentimentos que explodiam em mim. Eu já estava com saudades de mim. E ainda em tempo: sim, Curitiba é uma cidade magicamente romântica, e o Jardim Botânico foi só o início de uma descoberta que durou um final de semana. Prontos para continuar a viagem?
Até a próxima!

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