Um passeio romântico em Belo Horizonte – Conjunto Moderno da Pampulha

,Essa semana eu resolvi explorar BH. Eu já fui a muitos Lugares Românticos pelo mundo e existem alguns que definitivamente ficaram marcados na minha alma. Sabe aquela história de que “deixei meu coração” em tal lugar? Pois é. Na minha lista tenho vários. Mas desta vez, explorei um dos Lugares Românticos que amei antes mesmo de saber o que era um Lugar Romântico.

Antes do Lugares Românticos, a minha história

Morei minha vida toda em um bairro que faz parte da região da Pampulha. Passei minha infância anos 1980 indo para a Lagoa aos domingos. Íamos minha irmã, eu e meu pai. A gente passeava de barco enquanto minha mãe aos domingos expunha artesanato na Feira Hippie! O domingo sempre foi o dia de curtir o papai! Minha família, assim como várias aqui em BH, tem uma relação bastante afetiva com a Pampulha. Da infância às caminhadas na orla já em idade adulta, essa é uma região muito presente na minha vida.
Sempre me encantei pelas obras de Oscar Niemeyer e dos modernistas. O trabalho dessa turma me traz lembranças afetivas de uma época na qual não vivi. Vocês às vezes tem essa impressão de que estão com saudades de algo que nem mesmo conheceram? Pois é. Eu sou assim com os anos 1940, 1950 e 1960. Não sei de onde vem isso! Vou seguindo adiante com minhas predileções retrô e aproveito sempre que posso me dedicar a curtir essa atmosfera. Que seja ouvindo música, assistindo a filmes ou ainda passeando por lugares que são marcados por essa época.

Cultura e arte como tempero para o romance

Vamos lá, pessoal, O Lugares Românticos também é cultura. Não tem jeito de explicar as razões que me fazem considerar as obras do Conjunto Arquitetônico da Pampulha Lugares Românticos, sem falar da genialidade que está por trás de tudo. Faz parte da aura de lá.

A gente suspira pela Pampulha por causa da beleza. Mas o fazemos também por saber que aquelas obras foram planejadas por personalidades ilustres. A gente se emociona quando para pra pensar que aquele beijo roubado, daquela pessoa que a gente há tempos vinha amando em silêncio, aconteceu escondidinho ali, no Museu de Arte da Pampulha, ao lado da escultura “O Abraço”, de Alfredo Ceschiati.

As noivas se emocionam e lotam as listas de espera para se casarem na igrejinha da Pampulha porque para elas é mágico saber que se casarão em uma obra prima inovadora da arquitetura brasileira. As noivas sabem que diante delas, durante a cerimônia, estará um painel lindíssimo, obra de Cândido Portinari, um dos principais nomes da pintura brasileira. Sem falar, é claro, que se a cerimônia acontecer no final da tarde, o termômetro Lugares Românticos esquenta com o pôr-do-sol. Simplesmente um dos mais lindos!

Sensualidade

Niemeyer dizia que aquilo que o atraia eram as curvas. Sua obra é marcada por uma sensualidade ímpar que inunda nossos corações quando observamos o cuidado com o qual essas curvas foram construídas. Elas foram responsáveis pela recusa da igreja católica de consagrar a Igrejinha da Pampulha como local de rito por 17 anos. A obra havia sido considerada muito subversiva para os padrões da religiosidade.

Curvas são expressão da sensualidade, e a sensualidade é tempero de romance. Niemeyer traduz isso em palavras: “Não é o angulo reto que me atrai./ Nem a linha reta, dura, inflexível,/criada pelo homem./ O que me atrai é a curva livre e/ sensual. A curva que encontro nas/ montanhas do meu país, no curso sinuoso/ dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo/ da mulher amada./ De curvas é feito todo o Universo./ O Universo curvo de Einstein”. Merece um suspiro ou não?

História Pulsante

É inevitável não pensar que naqueles locais passaram personalidades proeminentes da cultura nacional. Impossível não ver que o Complexo Arquitetônico é ovacionado pelo mundo todo a ponto de estar na corrida para ser reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. O coração bate mais forte por sabermos que o indivíduo que quis que tudo aquilo acontecesse foi Juscelino Kubistchek, que mais tarde seria conhecido como “Presidente Bossa Nova”. Ele foi um indivíduo à frente de seu tempo que não se contentou em transformar a capital mineira quando foi prefeito, mas tocou um projeto ambicioso de crescimento e modernização do Brasil como presidente. É história pulsante, arte pulsante e tudo o que é arte, é feito também para emocionar. E emoção é o tempero do qual nunca abro mão quando o assunto é encontrar um lugar romântico.
Dizem que BH é cidade de passagem. Mas isso sai da boca de quem não conhece a capital de Minas Gerais. Belo Horizonte é cheia de encantos, cheia de Lugares especiais. Tem um povo acolhedor e se orgulha das belezas que tem. O Conjunto Moderno da Pampulha é formado pela Igreja de São Francisco de Assis, pelo Antigo Cassino, que hoje é o Museu de Arte da Pampulha, pela Casa do Baile, hoje o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design de BH; o antigo Iate Golf Club, atual Iate Tênis Clube e a residência de Juscelino Kubitschek. Venham conhecer!
Até a próxima!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *