Almoço romântico: Salada Grega Rústica

Almoço Romântico- Salada Grega

A receitinha de hoje tem história: foi inspirada em um livro de culinária grega que já tenho há anos, e conta com presentes de empresas muito queridas: a Val di Fiemme, que produz queijos deliciosos aqui no Sul de Minas, e a  JB Distribuidora de vinhos, da fofa Júlia Bizzotto, aqui de Nova Lima. A dica de hoje é para nos despedirmos do clima primavera/verão. O nosso outono costuma ser isso: sol de dia, frio de noite. Essa é uma receita super fácil para um almoço romântico e vai ser acompanhada por um Sauvignon Blanc muito especial! Mas, como tenho essa fama de contadora de histórias, vamos às histórias.

O Encontro com a Val di Fiemme

Conheci os queijos da Val di Fiemme em 2014 pelas mãos de uma amiga que estava apresentando o produto aqui em BH. Era uma noite de pizza e vinhos na minha casa, e ela levou queijos de ovelha muito bons para experimentarmos. Este ano, coincidências do destino, reencontrei a Val di Fiemme pelo instagram. Eu já os havia procurado bastante pelos supermercados e empórios gourmet de BH sem sucesso. Fiquei feliz com esse reencontro porque eu tinha realmente gostado dos queijos.

A coisa frutificou, eu conheci o Vicente Marin Munhoz, proprietário da empresa e da fazenda San Genaro. Sacramentamos a parceria. Ganhei de presente alguns queijinhos, dentre os quais o tipo feta que me inspirou a fazer essa salada grega. Vamos falar muito desses queijos por aqui. Sempre que indico um produto ou algum lugar é porque realmente gostei tanto da qualidade quanto da experiência proporcionada. Se eu não gosto, na maioria das vezes não escrevo nada. Mas quando gosto, fico muito feliz em fazer as indicações independentemente de parcerias.

Presentinhos da Val Di Fiemme este ano!

Sul de Minas

A Val di Fiemme, apesar de ser mineira e estar há mais de 20 anos no mercado, está mostrando a sua cara com mais força em BH agora. A fazenda San Genaro fica em Soledade de Minas, pertinho de São Lourenço, no circuito das águas. Lá são produzidos artesanalmente queijos de leite de vaca, cabra e ovelha. Os leites de cabra e vaca vem de produtores parceiros, mas o leite de ovelha é produção própria. Eles criam ovelhas da raça Lacaune, a mesma que produz o queijo Roquefort na França.

Por Deviers.fabien - Obra do próprio (Photo personnelle), CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2851042

Ovelhas da Raça Lacaune

Eu não tenho dúvidas de que eles vão encantar o público belo-horizontino com seus produtos. O seu processo de produção artesanal acontece dentro de rigorosos padrões de qualidade que vão desde a escolha dos parceiros que fornecem os leites de vaca e cabra, até a criação das ovelhas e a produção efetiva dos laticínios e queijos. Caso queiram ter informações sobre os produtos da Val di Fiemme e onde encontrá-los, mandem uma mensagem aqui nos comentários deste post ou no formulário de contato do blog! Ficarei feliz em indicar os pontos de venda deles para vocês!

Queijo Serra do Alvelhe leites de ovelha e vaca juntos fazendo essa delicia ai!

Olha como ele ficou lindo na minha tábua de queijos!

Olha a textura dele por dentro! O ideal é deixá-lo um tempinho fora da geladeira pra ele ficar assim!

O Queijo Feta

O Feta é um queijinho de origem grega feito com leites de cabra ou ovelha ou uma mistura de ambos. Os níveis de gordura dele são bem baixos e ele é ótimo para quem tem intolerância à lactose. Por ser curado no sal, o feta costuma ser salgadinho. Agora o que confere a esse queijo uma característica única é a forma como ele se quebra.

Ele pode até ser consumido em fatias ou cubinhos, mas no geral o feta é quebrado com as mãos. Na Grécia, esses queijos são muito usados em saladas, sanduíches, e como recheios. Eu, particularmente, o adoro quebradinho em nacos grandes colocados no azeite aromatizado com ervas. Para mim é um tira-gosto perfeito pra um almoço romântico! Outra forma de consumir o feta que gosto muito é amassado, misturado com azeitonas pretas, ervas frescas e azeite. Ele vira uma pastinha muito saborosa para ser comida com pães.

Denominação de Origem Protegida

O Feta Grego tem o selo de Denominação de Origem Protegida na União Europeia.

Um aviso aos navegantes: aqui no Brasil, a menos que haja uma importação do produto da Grécia, os queijos que encontramos não são Feta, e sim Queijos Tipo Feta. Parece bobeira ao falar, mas não é. Produtos como queijos, vinhos, embutidos, ou seja: produtos alimentícios de um modo geral provenientes da agricultura e da pecuária, tem as suas características altamente influenciadas pela geografia e o clima onde são originalmente produzidos. Vou tentar me explicar melhor:

Cabras e ovelhas são criadas soltas na Grécia. E por lá existe todo um clima e altitudes que geram determinados tipos de vegetações que são as pastagens das quais esses animais se alimentam. Há muitas ervinhas aromáticas, por exemplo, que as criações comem por lá que fazem com que o sabor do leite, e por extensão, do queijo, sejam diferenciados.

Uma questão de terroir

Queijo Tipo Feta da Val di Fiemme.

O Feta da Val di Fiemme é divino e tem um toque bem equilibrado de sal. A sua produção, assim como a dos outros queijos de lá, é inteiramente artesanal. As ovelhas da fazenda San Genaro se alimentam muito bem porque tudo o que elas ingerem é plantado e processado na própria fazenda. O Vicente me explicou que as pastagens das montanhas da Mantiqueira são muito nutritivas e que isso contribui para a qualidade do produto final: leites com alto teor de sólidos (gorduras, carboidratos, proteínas, sais minerais, vitaminas, dentre outros) se tornam queijos mais saborosos e nutritivos. Isso vale para ovelhas, cabras ou vacas. Bons insumos, geram bons produtos.

As montanhas da Serra da Mantiqueira

Entretanto, é indubitável que em função da geografia do local, do tipo de pasto que cresce na Serra da Mantiqueira, o Feta produzido lá será diferente do que é feito na Grécia. Portanto, um Feta só poderá ser puramente chamado de Feta, sem a palavra Tipo na frente, se ele for produzido em sua região de origem.

Almoço Romântico tem que ter vinho!

E não só almoço romântico, mas digam a verdade: qualquer momento junto de quem amamos acaba se tornando uma excelente oportunidade para abrirmos uma garrafa de vinho! Já dei a dica aqui de vinho rosè, estão lembrados? Pois hoje, quero dar aqui uma dica com uma ótima relação de custo-benefício de vinho branco. A saladinha grega do meu almoço romântico do último fim de semana combinou muito bem com o Sauvignon Blanc chileno El Conquistador Pedro de Valdivia, que ganhei da Julia Bizzotto da JB Distribuidora de vinhos. E pasmem! O vinho, que normalmente custa R$49,90 está saindo a R$39,90, fazendo dele um branquinho delicioso que harmoniza bem na mesa e no bolso!

Mas antes de falar sobre o vinho em si, é importante lembrar que de vinho mesmo entendo muito pouco. Gosto mesmo é de beber! (risos). É claro que com o tempo uma coisinha ou outra aprendemos, mas acima de tudo, educamos o nosso paladar. Aos poucos conseguimos identificar as características mais marcantes das uvas que nos agradam. Treinando bastante o nariz e o paladar, é possível sentir as notas diferentes de sabores que lemos nas apresentações dos vinhos. Para mim é bem nítido quando a bebida passa por madeira. Devagarzinho, aprendemos a sentir as notas de frutas no nariz sobre as quais os enólogos tanto falam. Isso é treino, observação, repetição: quanto mais vinho bebemos, mais educamos o nosso olfato e o nosso paladar.

Equilibrando os sabores

A harmonização de um vinho, ou qualquer outra bebida com um prato nada mais é do que um modo de deixar sabores equilibrados. A bebida complementará as qualidades do prato e vice-versa. No fim das contas o que queremos mesmo é sentir prazer ao comer e ao beber. Por isso sempre digo: melhor não querermos bancar os espertalhões com vinhos. Tem muita gente por ai falando difícil. Uns com propriedade e por ofício. Mas outros, porque ficam repetindo o que os especialistas dizem sem sentir muita coisa.

Eu sou uma leonina arretada que não se preocupa demais com regras e teorias na hora de sentir prazer à mesa (sem duplo sentido, pelo amor de Deus! – Risos). Não entendam isso como uma desvalorização do trabalho dos enólogos. Sei que existem regras básicas de harmonização que fazem muito sentido e que devem ser levadas em conta. Similaridades e contrastes entre sabores são formas muito inteligentes para se combinar vinhos com comidas. Vocês já pararam pra pensar por que um Tannat cai tão bem com as parrillas uruguaias? Essa não é uma mera harmonização por tradição. É que as parrillas são bastante oleosas e a adstringência dos taninos limpa o paladar, trazendo uma experiência gastronômica prazerosa.

Nesse meu almoço romântico nem achei que ousei demais! A acidez do Sauvignon Blanc costuma inclusive ser uma harmonização indicada para queijos como o feta. Mas no geral, minha conduta sempre é: Se me agrada ao paladar, então estou feliz com a experiência. No meu almoço romântico de domingo, fiquei feliz com o Sauvignon Blanc chileno.

O Vinho

 

Alguém ai sabia que no Chile no dia 4 de setembro eles comemoram o dia nacional do vinho? E quem sabe a razão? Gostaram do nome do vinho que a Júlia me deu para experimentar? O que tem uma coisa a ver com a outra? Vamos às respostas: em 4 de setembro 1545 um sujeito chamado Pedro de Valdivia, responsável pela ocupação do Chile por parte da coroa espanhola, escreveu uma carta ao rei Carlos V da Espanha. Nesta carta havia um pedido muito específico: “traga videiras e vinhos para evangelizar o Chile”.

Diz a lenda (ou a história) que este pedido do conquistador foi o responsável por abrir as portas do Chile para o cultivo da uva. Hoje, o país é destaque no mundo inteiro com vinhos de qualidade excepcional. Nada mal um Sauvignon Blanc que foi batizado em homenagem ao responsável pela cultura vinífera no Chile, não é mesmo?

Os vinhos da linha El Conquistador (além do Sauvignon Blanc, tem também um Carménère e um Cabernet Sauvignon) são produzidos pela viña Apaltagua na região central do país, conhecida como Vale do Colchagua. A primeira coisa que me chamou atenção nele foi a cor: muito clarinho, límpido, de um amarelo quase esverdeado. Conheci esse vinho lá no Encontro de Vinhos que teve aqui em BH no fim do mês passado.

Minha tacinha vermelha do Encontro de Vinhos com o bondinho do Museu Abílio Barreto de fundo!

Parei no stand da Wine2You e lá conheci a Júlia. Degustei todos os vinhos que ela tinha levado. Gostei muito deste Sauvignon Blanc, de um rosê chamado Piscine (olha a ironia! Estou gostando de vinhos roses!) e de um Primitivo Tarantino, que inclusive comprei.

 

El Conquistador Pedro de Valdivia

Eu fiz algumas postagens do Encontro de Vinhos no instagram e a minha degustação do Piscine eu filmei. Vi que a Júlia fez o repost dela no instagram da distribuidora. Fui agradecer e aproveitei para pedir uma sugestão para harmonizar com essa saladinha que já estava no prelo para sair aqui no blog. A Júlia nem titubeou: ah uma saladinha assim tem que ser um branco, não é? Você experimentou o que levei para a feira? Então me lembrei dele.

O El Conquistador Sauvignon Blanc é bem levinho, suave, refrescante. No início senti ele cítrico no nariz mas pouco tempo depois a gente sente as ervas e frutas que saem dele. Achei que ele seria um bom companheiro para a saladinha no meu almoço romântico. Foi ótimo conversar com a Júlia, porque assim tive a oportunidade de mudar meu olhar. Se eu não tivesse tido esse papo com ela, eu tentaria encontrar algum tipo de harmonização diferente de um vinho branco. Muito provavelmente eu arriscaria um Pinot Noir mais jovem e frutado. Não sei se iria funcionar tão bem. Mas as experiências também me agradam, principalmente estando bem acompanhada. Como eu já disse, o queijo feta combina muito com o frescor e a acidez do Sauvignon Blanc. Então, ponto pra Júlia e ponto pra mim que topei a dica e fiquei feliz com o resultado! A combinação ficou deliciosa!

As degustações da Júlia no Encontro de Vinhos pela Wine2You

Quem quiser experimentar este vinhozinho ou outros basta entrar em contato com a Júlia aqui por esse link, ou então mande e-mail aqui pro blog que passo os contatos dela pra vocês! Agora, vamos deixar de conversa e vamos cozinhar!

Salada Grega Rústica Horiatiki

Eu falei no início do post que inspirei a receita do meu almoço romântico em um livro antigo que tenho aqui de culinária grega. Pois é, o livro chama-se Toque da Grécia, Cozinha do Sol. Eu sou apaixonada pela culinária mediterrânea de um modo geral, e a Grécia me fascina desde que sou menina. Eu sempre digo que para comermos bem não precisamos complicar demais o processo. Já vi receitas de saladas gregas super complicadas, cheias de ingredientes malucos. Mas eu aqui no meu almoço romântico tentei ser o mais simples e frugal possível.

Mudei algumas coisinhas da receita, mas a base é original!

Horiatiki, pelo que li no livro, significa literalmente salada campestre. No livro ela está denominada em português como salada grega rústica. E ela é rústica ou campestre justamente pela sua simplicidade. Não há excessos, tudo o que se usa nela é encontrado facilmente e, o principal: precisa estar fresco! Essa saladinha é considerada um prato que caracteriza a Grécia. Todo mundo a prepara por lá como se ela fosse o nosso “arroz com feijão”. Então é assim: sou uma pessoa muito inventiva, mas gosto de dar crédito ao tradicionalismo. O segredo desta receita é a qualidade dos ingredientes e o frescor. Uma dica que dou para vocês na hora de prepararem essa saladinha no seu almoço romântico é: preparem quase na hora de servir!

As duas únicas coisas que gosto de deixar prontas meia horinha antes são as cebolas e os tomates. As cebolas eu já deixo picadas descansando em água com limão por meia horinha para diminuir a acidez. E os tomates eu os deixo cortados em oito, em uma peneira com um pouco de sal. Assim eles drenam e a salada não fica molhada demais. Vamos então aos ingredientes?

Ingredientes

  • 3 tomates cortados em 8 partes
  • 1 pepino médio cortado em meia lua
  • 1 cebola roxa média finamente fatiada
  • 1/2 xícara de azeitonas pretas
  • 1 xícara de queijo tipo feta (usei a metade do pacotinho do Val di Fiemme nesta receitinha)
  • Azeite extra-virgem de excelente qualidade a gosto
  • Orégano a gosto. Eu gosto de usar o fresco, mas isso porque o tenho disponível. Podem usar o seco mesmo que vai ficar ótimo!
  • Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Mas cuidado com o sal. O Feta é salgadinho e as azeitonas pretas também costumam estar conservadas em salmoura. Experimentem e usem o bom senso. Eu, honestamente, quase não coloquei sal.

Preparo

  1. Cortem os tomates em 8 partes, coloquem um pouco de sal e os deixem por meia hora em uma peneira para drenar
  2. Cortem as cebolas em fatias finas e as coloquem de molho em água com um pouco de limão por meia hora para diminuir a acidez.
  3. Descarocem as azeitonas e cortem-nas ao meio. Tem gente que gosta delas inteiras. Eu acho chato cuspir os caroços, principalmente em um almoço romântico (risos).
  4. Já quase na hora de comer, cortem os pepinos no meio, fatiem-nos em meias luas e coloquem-nos na tigela da salada.
  5. Juntem aos pepinos as cebolas, os tomates e as azeitonas. Mexam levemente.
  6. Peguem a metade do queijo tipo feta e grosseiramente esfarelem-no na salada. Deixem nacos grandes e generosos. É gostoso encontrá-los no meio do caminho.
  7. Temperem com sal, orégano, pimenta e azeite de oliva.

Na receita original manda colocar pimentão e vinagre de vinho branco. Dispensei ambos os ingredientes. O caldinho que fica no fundo é deliciosos e eu, como boa italiana que sou, não dispenso nunca um pãozinho para mergulhar em algum caldinho!

Bom apetite!

Aproveitem o almoço romântico de vocês! Comam a saladinha juntinhos! Não precisa nem sujar prato, comam direto da travessa! Curtam bastante o vinhozinho!

Até a próxima com mais histórias e delícias pra vocês!

 

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