Dica de leitura: Fiori di Zucca, um livro de gastronomia e relatos de família

Pessoal, vocês pediram e cá estou eu com uma dica de leitura por semana a partir de hoje. Vocês estão lembrados, né, que eu fiz no Instagram a enquete perguntando se vocês queriam indicações literárias ligadas à gastronomia e viagens. O resultado foi que 90% dos participantes disseram que sim. Portanto, vamos à primeira delas.

Antes de mais nada quero dizer que todas as dicas que aparecerem aqui são livros que realmente me marcaram. A minha relação com a comida é assim, digamos, visceral, afetiva. Não sei se é pelo fato de eu ser uma comunicadora, mas eu enxergo a comida como um dos meios de comunicação e linguagem mais potentes que existem. Portanto, ao trazer aqui um pouco das minhas leituras, trago para vocês também um pouco de mim.

Dito isso, podemos prosseguir. A dica literária de hoje foi um livro que conheci por acaso num dos passeios que faço com frequência em livrarias. Esse é um hobby. Adoro ir a livrarias para passear e garimpar volumes “esquecidos” ou escondidos nas prateleiras. Então, três por dois acabo pescando coisas muito legais.

A dica de leitura de hoje

Primeiramente um aviso: aqueles são sensíveis e sentem a afetividade no ato de comer, preparem-se. Certamente este livro vai fazer vocês se emocionarem! Comigo foi assim. É que a dica de leitura desta semana é um livro de memórias gastronômicas, com direito a relatos de “causos” de família e receitas deliciosas para testarmos. Além disso, ele também não deixa de ser um livro de viagens. Vocês entenderão o porquê daqui a pouco. Fiori di Zucca, da Chef anglo-italiana Valentina Harris, é uma publicação linda, em capa dura da Publifolha. Lembro-me que na época o comprei na Fnac do BH Shopping. Se não me falha a memória, isso foi no ano de 2015, dois anos após o lançamento do livro na Inglaterra.

O fio condutor da história são as memórias gastronômicas e familiares de Valentina. Ela começa lá na descendência nobre da sua família por parte de mãe, os Sforza que governaram Milão no século XV. Em seguida, passa pelas tradições britânicas de seu pai, que era um oficial do exército inglês. Depois, Valentina faz escalas em todos os países por onde sua família passou, pois seu avô materno era diplomata.

Lembranças e receitas…

As lembranças da Chef estão em uma vila na Toscana onde ela morou boa parte da infância. Aqui ela homenageia Beppino, o caseiro que lhe ensinou a cozinhar. Em seguida, suas memórias nos levam à vida dos avós maternos em Constantinopla e Pequim. Ela resgata ainda uma ancestral russa, traz para a gente relatos da resistência de sua família ao fascismo, da imigração para os Estados Unidos, das mudanças para Paris e para a Bélgica. Ao longo dessa viagem pelo mundo, Valentina vai nos apresentando tudo aquilo que sua memória sensorial lhe traz de sabores.

No desenrolar da trama vamos sentindo nas entrelinhas como cada uma das suas memórias gastronômicas ajudaram em sua formação como Chef. O livro é formado por 20 crônicas recheadas de histórias e afetividades familiares. No meio delas somos presenteados com 85 receitas das mais variadas tradições, inclusive a que dá nome ao livro. As flores de abóbora fritas estão lá na página 174 e cá entre nós, são deliciosas!

Quem é Valentina Harris?

Para aqueles que não conhecem, Valentina Harris é uma Chef anglo-italiana que construiu uma carreira sólida e tornou-se conhecida na Gran Bretanha como autoridade em cozinha italiana. Ela é membro da Associação Internacional de Profissionais de Gastronomia (International Assiciation of Culinary Professionals). Ao longo de sua carreira escreveu mais de vinte livros de gastronomia (pena que bem poucos foram traduzidos para o português, mas quem tiver facilidade para ler em inglês, valem a pena). Ela apresentou também na Gran Bretanha um programa de TV pela BBC chamado Italian Regional Cookery (Cozinha regional Italiana). Hoje, já na casa dos 60 anos, ela vive de eventos, consultorias, livros e aulas de culinária.

O que amei neste livro

E ai? Estão curtindo essa dica de leitura da semana? Se vocês me perguntarem o que mais gostei desse livro vou ficar perdida. É que são muitos elementos que colocados todos juntos fazem do Fiori di Zucca um livro absolutamente apaixonante. Como boa jornalista que sou, achei uma delícia ler os relatos da Chef. O texto é fluido, extremamente bem escrito/traduzido (a tradução é de Marcos Maffei). Além disso, os relatos que ambientam as histórias pessoais em momentos históricos marcantes são extremamente interessantes.

Do ponto de vista das receitas, eu me vi em várias delas. Especificamente a Sopa Pavese (página 19) é uma memória gastronômica minha também. Minha mãe fazia muito essa sopa lá em casa quando eu era pequena. Aos apaixonados por risotos, o livro é um prato cheio. Tem várias receitas deliciosas.

Minhas receitas preferidas…

Querem saber se eu já testei alguma receita do livro? Sim, várias! Ontem mesmo, por exemplo, aproveitei as romãs que colhi no vizinho aqui de casa para fazer a salada turca de trigo sarraceno (página 60).

Os risotos já fiz praticamente todos. Sem dúvida alguma, só de bater o olho na receita percebi logo que a massa com pancetta e tomate picante (página 95) seria uma larica deliciosa (sim, larica! Lendo o livro vocês verão o porquê!). Quando a preparei, tive a certeza.

Para quem é adepto à simplicidade e explosão de sabores, a abobrinha assada com tomate e muçarela (página 171) é uma delícia! O omelete de camarão (página 110) também é muito bom. Surpreendentemente delicioso, devo dizer, foi o nhoque de espinafre e pão (página 182) e também a pizza com cebola caramelizada (página 193).

Há outras receitas maravilhosas? Sem dúvidas! Sigam a minha dica de leitura, comprem o livro e o saboreiem do início ao fim!

Ficha técnica:

Título: Fiori di Zucca: Receitas Inesquecíveis e Memórias Culinárias
Titulo Original: Fiori di Zucca: Recipes and Memories from My Family’s Kitchen Table
Autor: Valentina Harris / Tradução: Marcos Maffei
Editora: Publifolha
Número de Páginas: 256

Deliciem-se e até a próxima!

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

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